sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Olho Nu

Desnudo meus olhos de todo dogmatismo e enxergo,
Por debaixo da blusa, os seios da sociedade onde estão a mamar,
Impiedosamente, políticos mimados.

Desnudo meus olhos de toda ignorância e enxergo,
Nas galáxias mais profundas da vida, o pulsar do encantamento que espalha,
Vigorosamente, a paixão libertária.

Desnudo meus olhos de toda artificialidade e enxergo,
No íntimo do ventre do povo, a naturalidade do embrião da revolta,
Fervorosamente, a confrontar o arcaico.

Desnudo meus olhos de toda propaganda e enxergo,
Pelo avesso da matéria, a beleza caminhando em passos largos,
Livremente, a clamar pela consciência.

Desnudo meus olhos de todo comodismo e enxergo,
No espelho trancafiado no baú das sombras, a chave da represa que, quando aberta,
Indevassavelmente, enche a maré de sonhos.

Desnudo meus olhos de todo egoísmo e enxergo,
Diante da escalada na pirâmide, que o olho que tudo vê,
Irreparavelmente, não enxerga a gordura em sua própria retina.

Desnudo meus olhos de toda selvageria e enxergo,
Nessa floresta mercadológica, que a madeira sustentadora desse ecossistema,
Progressivamente, está a ser devorada por cupins negocistas.


Vinni Corrêa
30 de março de 2008

Cena do filme "O Cão Andaluz" de Buñuel

Cena do filme "O Cão Andaluz" de Buñuel

Cena do filme "O Cão Andaluz" de Buñuel

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