sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Queda

Meus sonhos negros e meus pesadelos brancos
Vejo toda noite a mulher em prantos
O sabor do meu olhar apresenta-se amargo
Sem expectativas e aparentemente cinza ou pardo
Uma vez que isso não sai da minha cabeça
Nada é capaz de fazer com que algo dela eu esqueça

Uma taça de vinho adormece o meu enlevo
Que dá fim a todo o nosso enredo
Os dias e as noites não possuem brilho
Dou volta nos mesmos trilhos

Um mundo surrava as portas enquanto eu tentava dormir
E eu forçando os erros para que em meus sonhos eu pudesse cair

Finalmente a queda

Há um corda onde eu tento me segurar
Tento subir mas não saio do lugar
Escorrego com as minhas mãos sujas de querosene
Ela risca o fósforo para que eu me despenque
O fogo me consome por completo
A fumaça prenuncia o final concreto

Fico embriagado em estado de transe
Não há como escapar não há nenhuma chance
Relembro meus últimos instantes com ela
Agora a dor merecida pela queda

Um mundo surrava as portas enquanto eu tentava dormir
E eu forçando os erros para que em meus sonhos eu pudesse cair

Finalmente a queda

Me via em cima de um enorme prédio
Recordava o quão bom era o meu tédio
Quando enfim vi que o céu era o chão
Tarde demais para que eu usasse as minhas mãos
E me arragasse nas chances a mim oferecidas
Então ela veio acertar as minhas feridas

Mais uma vez não pude evitar o meu decréscimo
Meu tempo era contado em milésimos
Tendo a perecer dessa maneira
Terminar nada mais do que poeira

Um mundo surrava as portas enquanto eu tentava dormir
E eu forçando os erros para que em meus sonhos eu pudesse cair

Finalmente a queda


Vinni Corrêa
02 de março de 2004

René Magritte - Golconda

Marc Chagall - La caduta di Icaro

Nenhum comentário:

Postar um comentário