sexta-feira, 5 de julho de 2013

Constelação Germinante

Um andarilho, calvo e barbudo, contou-me que
Quando uma estrela cai é sinal de que uma alma
Subiu aos céus e, logo em seguida, outro astro surge,
Nascendo uma nova criatura na terra, o ser Novae.
Disse-me também que quando contamos estrelas,
Apontando para elas, verrugas surgem em nossas mãos
Caso, por descuido, apontemos para as anãs castanhas,
Almas perdidas daqueles que desafiam a ordem, a moral e
Os bons costumes. Subversivos que atentam contra a sociedade.

Nunca mais avistei o velho viajante
Em suas jornadas de peregrinação.
Provavelmente cansou-se de sua missão
Por ver que o mundo está a mudar
E que dezenas de novas "anãs castanhas" brotam no céu,
Sem disseminar qualquer verruga nas mãos que constroem o mundo.
Mas, por trabalhar e sofrer demasiadamente,
Essas mãos estão infestadas de calos massudos.
Mãos, e pés, e tronco, e corpo de guerreiros
Cujas almas são, na verdade, estrelas gigantes
Da Constelação Germinante.
Somos todos poeiras de estrelas,
Contudo, uns produzem muito mais energia que outros.


Vinni Corrêa
26 de julho de 2007


NGC 1579: A Nebulosa Trífida do Norte

PSR J1740-5340

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