segunda-feira, 1 de julho de 2013

Leite Derramado

A escuridão desagrada os campos ressequidos
Onde crianças selvagens choram por alimento
Jovens mulheres encapuzadas aproximam-se delas
Oferecendo do seu leite e deixando-as em recolhimento
Os campos nada mais poderiam gerar
Inférteis no entardecer do rugido
Outrora, podia-se ouvir o clarim da cavalgada
Dos campos agora sedentos e desprotegidos

As crianças foram domesticadas e tornaram-se rebanho
Das belas mulheres de sotaque estranho
Que com seu leite impediu a inocência de ter o seu amadurecimento
Sendo dela agora o único alimento

Entregando os campos às lindas donzelas
A quem a confiança não se entrega

O verdadeiro significado por trás delas
É o que de mau no mundo impera

O leite eivado penetra nas raízes
Da pura essência de uma tribo
Devastando tudo aquilo que havia sido construído

Mas as sementes que tornam o solo forte
Está dentro do coração de cada criança
Para renovar o fôlego destruído

Não chore pelo leite derramado
E não limpe-o com águas do passado
Plante as sementes da luta
Liberte-se daquilo que o torna fraco


Vinni Corrêa
21 de fevereiro de 2004

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