segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Dia que o Rico fez Caridade

Não apenas comemos. Comemos
E repetimos e enchemos a nossa pança
Com saborosas iguarias
Há ainda aquele que, mais que eu, come
E gasta absurdos para instante depois
Defecar um bolo amarronzado - mole ou consistente

Comemos por puro prazer, capricho
Pois alimentar-se já não é mais
Uma necessidade, é garantia

Mas descobri pratos exóticos que
Nenhum rico jamais ousou experimentar
O miserável, porque saboreamos e estravasamos
Em nossas refeições, precisa inventar sua comida
A sopa de papelão ou a sopa de cactos (que já vem com água)
Já são o cardápio principal nas panelas do pobre
Ora, o rico já levou o samba do pobre para
suas rádios; já levou o futebol do pobre para
seus campos; já levou a mulher do pobre para
suas camas, mas por que não levou a sopa do pobre para
sua mesa?

Comida de rico não é para alimentar é para enfeitar
Comida de pobre não é para alimentar é para estufar
E anestesiar as dores intestinais porque
A dor do desalento se cura com cachaça
Mas os ricos farão caridade: todos os dias
Comerão sopa de papelão e apenas uma vez por ano
Mudarão o seu menu e, em compensação, ofertarão
suas casas, seus iates, suas BMWs
suas roupas, suas terras e suas mulheres
A todos os pobres e miseráveis

Você realmente acredita nessa maluquice?


Vinni Corrêa
01 de agosto de 2006

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