segunda-feira, 1 de julho de 2013

Vida Alegórica

Na manhã de sua vida
Aflorando as suas idéias
Seu objetivo incipiente
No palco a sua estréia
Disse-me que não podia
Prender a atenção da platéia
Seus gritos estridentes
Poderiam provocar uma guerra

Dor em seu peito
Pavor em sua mente
Morte em seu leito
Crime inocente
A voz do seu feito
Nada eloquente
Abrigo perfeito
Escondendo o que sente

Em sua ilusão permanece pávida
Pra fora a sua língua ácida
Presa ao seu colo inóspito
Cobrindo o sono mórbido

Requer a atenção de alguém
Para imitar o seu acalento
Saboreando a cópia de uma réplica
Replicada em imitações cíclicas

Não está pronta para ir além
Quebre o espelho do falso desdobramento
Tentando o olhar camuflado em ética
De um belo feito em mímicas

Sua imposição descende do mimo egoísta
Tomando para si as próprias imagens
Do real que é imaginário
E da ilusão que se tem como ideal

Pronto em um discurso altruísta
Fecha-se para as carruagens
O som do ato voluntário
De sua infame fuga do real

Na manhã de sua vida
Aflorando as suas idéias
Seu objetivo incipiente
No palco a sua estréia
Disse-me que não podia
Prender a atenção da platéia
Seus gritos estridentes
Zunem por todas as brechas

Inquieta, se enterra nas ilusões frenéticas
E brotam as tolices fantasmagóricas
Penetra, mas erra com suas intenções escalafobéticas
O encenar de sua vida alegórica


Vinni Corrêa
19 de novembro de 2003

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