domingo, 2 de março de 2014

Bueiro

Senti-me sufocado.
Como as baratas saem do bueiro
Saíram os ruídos agonizantes pela minha boca.
E quanto maior era o calor, maior era a aflicação,
E o incerto escapava do botijão cardíaco
Quase a explodir com a faísca do sufoco.
O rosto esvaecia como se esgotasse em meu bueiro.
Eu queria dizer algo, mas, apenas dizeres insetos batiam asas,
E tentava mais alto e engasgava-me com meu clamor.
De ficar com o bueiro aberto entrou mosca,
Mas o sabor era de borboleta.



Vinni Corrêa
06 de março de 2008



Bueiro em Copacabana

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