domingo, 2 de março de 2014

Lugar-Comum

Uma língua áspera
Coça a orelha como vermes
Diante de olhos
Tão juvenis.
Esfrega a carne
Impaciente e atrevida,
De manhã até o anoitecer,
De noite até o amanhecer.
Não importa!
O frio do teu escuro
Obedece ao vinho
Que derramas na
Pelugem da sombra
E no andar do
Mensageiro acrobata.
Que trazes de notícia?
Absolutamente
Nada de importante.
As palavras escritas
Nos postes envergados,
Nas curvas do mundo.
A caneta rouca cai
Dos dedos reticulados
E a língua áspera
Continua a coçar a orelha. 


Vinni Corrêa
31 de julho de 2008



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