segunda-feira, 3 de março de 2014

Maninha

Maninha
Demorei tanto tempo para dizer que te amo
Mas estou a dizer agora
Mesmo que há alguns anos atrás isto não parecesse verdade
Quero que saiba que tudo o que eu sempre fiz
Foi para proteger-te
Foi para o teu bem ainda que eu o fizesse
De uma forma equivocada
Mas acredite
Sempre quis que tu seguisses um caminho
Que não te magoasse um caminho que eu mesmo
Muitas vezes não havia trilhado

Maninha
Lembro-te ainda bebê sendo banhada por nossa mãe
E eu ajudava segurava tua pequena cabecinha
Lembro da bagunça que fazias no quarto
A briga para apagar a luz e a TV na hora de dormir
A briga para dizer que não havia quebrado o vaso de planta
A briga para ver quem ia pro banho por último
A briga sem motivo
Tantas brigas, brigas que se tornavam lutas
De tu a morder-me arranhar-me e a puxar meus cabelos
E eu a socar-te torcer-te e a imobilizar teus braços
Parecíamos mais inimigos do que irmãos

Maninha
Foi quando te vi internada em um sono profundo
Naquele hospital e o medo de perder-te para sempre
Que percebi o quanto de culpa eu tive
Pela nossa infância marcada por desunião
O quanto fui responsável por fazer-te agir
Da maneira que agias
Faltou da minha parte um pouco de carinho e compreensão
Mas juro que amor não faltou
Faltou atenção faltou respeito
Mas amor não
Às vezes o amor também machuca

Maninha
Venho hoje exatamente hoje
Depois de 25 anos e 14 dias
Pedir-te perdão por tudo o que eu tenha feito
Que possa ter magoado a ti
Sou ser humano e neste aspecto errei
Hoje estou feliz por saber que também estás feliz
Que conquistaste muitos dos teus sonhos
E que conquistarás ainda mais
E se era o que eu desejava antes que tu estivesses longe
Hoje desejaria que estivesses bem próxima
Como ainda estás em meu coração


Vinni Corrêa
22 de abril de 2011



Jennifer Andrews (para minha irmã Clarissa)


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