domingo, 2 de março de 2014

Não Poderei

Não poderei dizer a límpida sangria angustiosa
Não poderei escutar tensas roupagens azulegas
Não poderei degustar o andar de um vento ríspido
Não poderei sentir desabrolhadas cinzas de sofreguidão
Não poderei tatear infinitas libélulas de açúcar
Não poderei pensar a sutileza andrófaga de uma estrela
Não poderei imaginar um rancoroso rosto de amêndoa
Não poderei sonhar nas águas trevosas que sedento seco
Não poderei gozar o horizonte marejado de sossegos
Não poderei criar segundos em instantes nocívos
Poderei apenas fazer a urgência atrevida 


Vinni Corrêa
19 de abril de 2010



William Blake

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