domingo, 2 de março de 2014

Rosto Tênue

Tenho notado as rachaduras
Desenhadas no calcanhar da beleza.
Com o sangue entupido
Inunda o colo, cria o coágulo
Que mareja os olhos da chuva.

É triste dizer tais coisas
Quando parafusos se soltam
Do nosso caminho.
Os calos nos pés,
Assim como estes nas mãos,
Entortam vigas das flores.

No canto dos lábios brota
A embarcação trêmula
Prestes a zarpar para o continente
Inesgotável de nudez,
A virgem banha-se com látex.
Junto ao varal as fotografias,
Em preto e branco, secando da tempestade,
Onde comensais reunidos na noite de gala
Adormecem, na mesa de convidados
Onde se borda o triunfo das maçãs de um rosto tênue.



Vinni Corrêa
29 de julho de 2008



Marcel Duchamp - Nu descendant un Escalier. No.2

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