domingo, 2 de março de 2014

Tão Livres

Somos tão livres quanto aquele pássaro na gaiola da vendinha da esquina
Que, ainda na clausura da armação de ripas,
Consegue denunciar, em melodias, às pétalas auriculares da juventude.

Somos tão livres quanto o rio represado das usinas hidrelétricas
Que, resistindo com seus galgamentos,
Rompe o assoreamento da inerte alma onde sedimenta a miséria.

Somos tão livres quanto o rabo misterioso e autonômico da lagartixa
Que, cortado com a lâmina da desgraça humana,
Renasce como a esperança de sobreviver ao que é tido como impossível.

Somos tão livres quanto os raios de sol transformados em calor em uma estufa
Que, não conseguindo atravessar de volta pelo plástico,
Mantêm aquecido o ar que movimenta nossas maiores ambições.

Somos tão livres quanto a fina seda da crisálida de uma larva
Que, até então revertida em vestes que cobrem o corpo,
Sua fragilidade a permite rasgar-se revelando o íntimo do filamento que nos compõe.

Tão livres somos se na imensidão da brancura há risos
A escapar de uma boca ínvia
Em que um impúbere beijo aventurar-se-ia a trilhar,
Se tão livres quisermos ser livres. 



Vinni Corrêa
17 de junho de 2009



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